sexta-feira, 20 de fevereiro de 2009

Grécia antiga.

1 – Período Pré-Homérico
o primeiro grupo de arianos a ocupar a Hélade (antigo nome da Grécia), por volta de 2000 a.c., foi o dos aqueus. Os aqueus eram nômades e se deslocavam em busca de melhores pastagens para seus rebanhos. Quando chegaram à Grécia, ocuparam as terras mais férteis e assimilaram os grupos nativos. A sedentarização provocou a formação dos primeiros núcleos urbanos na Hélade, como Tirinto, Argos e Micenas. Com o tempo, Micenas transformou-se no principal centro político, econômico e cultural dos aqueus.
Por volta de 1700 a.c., outros dois povos arianos chegaram à Grécia: os jônios e os eólios. Pacíficos, acabaram integrados às sociedades locais sem conflito. Nessa mesma época, a cidade de Micenas mantinha intenso intercâmbio com Creta, dando origem à cultura creto-micênica.
O contato com os cretenses, que dominavam todo o mar Egeu, possibilitou aos aqueus o desenvolvimento de novas técnicas agrícolas e navais. Por fim, acabaram superando seus mestres: por volta de 1400 a.c., conquistaram Cnossos e destruíram parte da sociedade cretense.
A conquista permitiu aos aqueus expandirem suas atividades comerciais e de pirataria por todo o Mediterrâneo oriental. Por volta de 1150 a.c., dominaram a cidade de Tróia, na estratégica passagem entre o mar Egeu e o mar de Mármara. Com isso, Micenas passou a controlar o tráfico marítimo na região, ampliando ainda mais suas atividades na Ásia Menor.
Enquanto a sociedade micênica se expandia pela Ásia, chegavam à Hélade os dórios, último grupo de arianos a ocupar a região. Nômades, aguerridos e conhecedores de armas de ferro, os dórios arrasaram as cidades da Hélade e provocaram a dispersão da população local em direção ao interior do continente, à Ásia Menor e a outras regiões do Mediterrâneo. O fato acabou favorecendo a formação de inúmeras colônias gregas. Esse processo de dispersão e colonização ficou co­nhecido como Primeira Diáspora Grega.
A chegada dos dórios marca o início de outro período da história da Grécia Antiga, o Homérico, que se estendeu até o século VIII a.c. No decorrer desse período, a vida urbana na Hélade diminuiu, dando lugar a pequenas comunidades formadas por grandes famílias: os genos.
Esse período recebe o nome de Homérico porque as fontes para seu estudo são duas obras atribuídas ao poeta Homero: a Illíada, que narra a tomada de Tróia, e a Odisséia, que conta o retorno de Ulisses ao reino de Ítaca.
Com a diminuição da vida urbana, desapareceram em grande parte os traços culturais mantidos até então pelos povos da Hélade. A escrita, por exemplo, deixou de existir. Três séculos depois, surgiria uma nova forma de registro escrito, baseado no alfabeto fenício. Só então os versos cantados por Homero ganhariam forma definitiva.

2 – Período Homérico: os genos

A base social da Grécia após o século XII a.C. passou a ser o genos, ou seja, a reunião em um mesmo lar de todos os descendentes de um único antepassado, normalmente um herói ou semideus. O genos, muitas vezes constituído por centenas de pessoas, era comandado por um único chefe. O poder era transmitido do pai para o filho mais velho. Mantinha-se um culto aos antepassados e uma justiça própria, baseada nos costumes. Cada membro, chamado de gens, dependia da unidade familiar, e o grupo, como um todo, gozava de grande autonomia política.
Essa autonomia política era sustentada por uma certa independência econômica. Nessa época, a economia grega se resumia à arte de administrar os bens da casa. A família era auto-suficiente, espécie de organização fechada que pouco necessitava de contatos exteriores.
A propriedade dos bens de produção era centralizada na figura do chefe do genos. O trabalho era coletivo; quem se recusasse a trabalhar era expulso da família. Todas as tarefas eram, por isso, valorizadas e nenhuma considerada humilhante. A produção era distribuída igualitariamente, o que impedia a diferenciação econômica dos membros do genos. Só se recorria ao trabalho de escravos ou de artesãos em casos excepcionais: quando a família era pouco numerosa ou não dominava determinada técnica de produção.
A economia do genos era basicamente agropastoril. Família rica era família com terra fértil, pois garantia o sustento cotidiano e ainda conseguia armazenar produtos para tempos difíceis. O excedente possibilitava ainda contratar artesãos, comprar escravos e mercadorias de valor, que eram acrescidas ao tesouro da família. Uma forma de aumentar as riquezas era dedicar-se às guerras, à pirataria e aos saques. Geralmente, eram os mais jovens que se dedicavam a essas atividades.
Apesar de uma distribuição igualitária dos bens produzidos, a organização social do genos perpetuava certa diferenciação, determinada pelo grau de parentesco com o chefe do genos: quanto mais distante o grau de parentesco, menor a importância social.
No plano político, o poder do chefe do genos estava fundamentado no monopólio de fórmulas secretas, que permitiam contato com os ancestrais e os deuses protetores da família.

3 – As transformações nos genos

Com o tempo, o genos começou a encontrar dificuldades para manter sua organização econômica e social. Por causa de técnicas rudimentares, a produção passou a crescer em ritmo menor que o da população. A utilização de terras menos férteis, a especialização das áreas de produção, o uso de mão-de-obra suplementar e a busca de produtos específicos foram alternativas para o problema, mas não conseguiram evitar por muito tempo a diminuição da renda familiar e o surgimento de manifestações de descontentamento.

Outro problema que surgiu foi a tendência do genos em dividir-se em núcleos menores. Ao romper os laços familiares, o genos tornava-se mais frágil. A divisão acontecia em virtude da pressão dos parentes mais distantes por melhores condições de vida e também do descontentamento de alguns com a rotina do genos.

Essas condições somadas levaram à desagregação do genos. Nesse processo, os parentes mais próximos do chefe do genos foram beneficiados e os mais afastados acabaram preteridos. Primeiro foram desmembrados os bens móveis, como gado, escravos, metais, vasos e armas. Depois, o local de moradia: a casa, antes espaçosa para abrigar toda a família, começou a dar lugar a habitações menores. Por fim, começou a ser dividido o bem principal: a terra.

GUERREIRO HOMÉRICO
A passagem para uma nova organização esbarrava, no entanto, em alguns limites. Em certas regiões, a terra não podia ser dividida ou repassada para quem não tivesse pertencido ao antigo genos; em diversas propriedades, os membros do genos preservavam o sistema de rodízio da terra.




4 – A origem de Esparta (séculos IX-VII a.C.)
A cidade de Esparta foi fundada pelos invasores dórios no século IX a.C., na fértil planície da Lacônia, às margens do rio Eurotas. Foi uma das primeiras pólis a surgir na Grécia. Parte dos aqueus que habitavam a região, desde o século XVIII a.C., aceitou pacificamente a invasão e foi absorvida pelos dórios. As terras conquistadas foram divididas entre os guerreiros, dando início ao genos.

A cidade de Esparta era regida por um conjunto de leis chamado Grande Retra. Segundo a lenda, essas leis foram elaboradas por Licurgo, patriarca lendário associado ao deus Apolo. Após a sua conclusão, Licurgo exilou-se, mas antes de partir proibiu que as leis fossem alteradas na sua ausência. Esse mito deu à Grande Retra um caráter divino e imutável - servia, assim, para os dórios justificarem sua dominação sobre grande parte da população espartana.

O governo da cidade, segundo a Grande Retra, deveria ser exercido por dois reis (Diarquia), um Conselho (Gerúsia) e uma Assembléia (Apela). Os reis eram responsáveis pelo comando da cidade em tempo de guerra e pelas cerimônias religiosas que precediam os combates. O Conselho, formado pelos mais velhos, tinha caráter consultivo. A Assembléia era o órgão mais importante. Formada por todos os cidadãos dórios, dava a palavra final sobre assuntos políticos e administrativos.

5 – As transformações do século VII a.C.

O crescimento da população e o esgotamento das terras levaram os espartanos a empreender, em fins do século VIII a.C., novas campanhas de conquista a oeste do Peloponeso, dominando a Messênia. Em 650 a.C., os messênios revoltaram-se contra Esparta, numa guerra que durou cerca de trinta anos. Ao final, vencidos, foram reduzidos ao trabalho compulsório.

O grande número de hilotas passou a representar para Esparta um perigo permanente. Com medo de revoltas, os dórios voltaram-se inteiramente para o controle dessa população. As guerras de conquista foram interrompidas e as intervenções externas limitadas às cidades próximas, apenas para garantir a hegemonia na região. O crescimento do número de hilotas, entretanto, provocaria ainda inúmeras transformações em Esparta.



6 – Mudanças sociais e econômicas

A economia e a sociedade espartana sofreram profundas transformações. A propriedade coletiva do genos cedeu lugar à grande propriedade estatal, organizada em lotes denominados terra cívica. Os lotes foram distribuídos para os guerreiros dórios da antiga aristocracia, conhecidos como esparciatas. Não podiam ser cedidos nem divididos: o Estado detinha sua posse legal e o cidadão apenas seu usufruto.

Os hilotas, passaram a ser propriedade do Estado e foram distribuídos à razão aproximada de seis por lote. Eles eram obrigados a pagar uma renda fixa a quem detinha o usufruto do lote. Essa renda era composta por cevada, frutas, vinho, azeite e produtos artesanais de uso diário (Apófora). Com o tempo, passaram a ter de entregar metade da produção do lote. Os dórios não podiam matá-los nem mutilá-los, a não ser por ordem do Estado. Com pequena proteção da lei, as condições de vida desse grupo social eram das mais miseráveis do mundo antigo.

O excedente da renda paga aos dórios era utilizado na aquisição de armas. Sem ter de trabalhar diretamente para o sustento, os dórios podiam dedicar-se à atividade militar. Combatiam assim seus inimigos e garantiam a ordem social na cidade. Essa prática bélica era sustentada também por uma rígida educação militar.

Os periecos, habitantes das terras periféricas. Esse grupo social era formado pelos aqueus que não ofereceram resistência à ocupação dória e, por isso, puderam tornar-se proprietários de terras na periferia da cidade. Eram quase quatro vezes mais numerosos que os dórios e dedicavam-se basicamente à agricultura e, em menor escala, à criação de carneiros e porcos, ao artesanato, à mineração de ferro e ao comércio. Entre eles, predominava o regime da propriedade privada, ou seja, suas terras podiam ser divididas ou vendidas. Aos periecos não era permitido participar da vida política, privilégio exclusivo dos dórios. Serviam no exército, formando um regimento levemente armado, sempre comandado pelos dórios.

7 – A nova organização política

Para manter os privilégios e a dominação dos esparciatas, as leis e a organização política da cidade foram reformuladas diversas vezes. O poder da Diarquia (composta por dois reis) e da Gerúsia (integrada pelos reis e por 28 cidadãos com idade superior a 60 anos) foi limitado pelo surgimento dos Éforos: cinco magistrados escolhidos pela Gerúsia e aprovados pela Assembléia. Os éforos tinham mandato de um ano; suas funções eram vigiar os reis, cuidar da educação das crianças, fiscalizar a vida pública dos cidadãos e julgar os processos civis.
Os gerontes, vitalícios e escolhidos na Assembléia de Esparta, tinham papel decisivo nos assuntos de política externa. Os reis, por sua vez, perderam parte de seu poder, mas conservaram as atribuições militares e sacerdotais. As atribuições da Assembléia foram bastante reduzidas; tornou-se apenas um órgão consultivo, cujas decisões eram manifestadas por aplausos.

A diminuição do poder dos reis (Diarquia) e dos cidadãos (Assembléia) fez de Esparta uma cidade oligárquica. O poder era controlado por um grupo restrito e fechado, que se fazia representar pela Gerúsia e pelos Éforos.

8 – A “vida cultural” em Esparta

Com a preocupação de manter a ordem social, os esparciatas mantiveram rígido controle sobre as atividades culturais da cidade. O governo estimulou o laconismo, a xenofobia e a xenelasia. O laconismo consistia em falar tudo em poucas palavras, o que dificultou o desen­volvimento da crítica entre os espartanos. A xenofobia e a xenelasia, aversão e expulsão de estrangeiros, dificultaram o intercâmbio com culturas estrangeiras, consideradas muitas vezes subversivas ao sistema.
Uma educação especial - que incentivava os esparciatas a servir à pátria como soldados - ajudava a manter a ordem social. Ao nascer, uma criança esparciata era examinada pelos anciãos. Se fosse fraca ou apresentasse algum defeito, era lança da para a morte do alto do monte Taigeto. Caso fosse aprovada no exame, ficava com a mãe até os 7 anos, - quando era entregue ao Estado para receber uma educação cívica.

Aos 12 anos, os meninos eram enviados para o campo, onde deviam sustentar-se por conta própria. Dormiam ao ar livre, em camas de bambu, construídas com as próprias mãos, pois não recebiam nenhum instrumento. Aprendiam também a roubar parte de seus alimentos. Caso fossem apanhados nesse ato, eram severamente castigados, não pelo roubo, mas pela demonstração de inabilidade. O objetivo dessa etapa da educação era fortalecer o físico e desenvolver uma destreza considerada indispensável ao bom soldado.
Aos 17 anos, os rapazes passavam por um ritual de iniciação - no qual deviam mostrar suas habilidades chamado Criptia, ou brincadeira de esconde-esconde: de dia espalhavam-se pelos campos, munidos de punhais, e à noite deviam degolar quantos hilotas fossem capazes. Quem passasse pela prova recebia um lote de terra, era considerado adulto e passava a viver como soldado no quartel, tomando uma única refeição ao dia (Sicitia).

Aos 30 anos, o soldado tornava-se cidadão. Podia então casar-se e participar da Assembléia. Aos 60 anos, podia aposentar-se do exército e tomar parte no Conselho de Anciãos.
Essa educação, ao mesmo tempo que formava o cidadão espartano, tinha diversos objetivos. Ela difundia o terror entre os hilotas e eliminava parte dessa população. Servia também para fazer o controle popu­lacional dos próprios esparciatas. Apesar do incentivo à natalidade, muitas crianças dórias morriam logo ao nascer, recusadas pelos velhos. Podiam ainda morrer durante a educação militar de fome, frio, castigos ou na luta contra os hilotas. Em outras palavras, a educação espartana garantia o controle populacional e a estabilidade social ao impedir que a população hilotas ou de cidadãos aumentasse em demasia e pressionasse por liberdade ou terras.

BIBLIOGRAFIA UTILIZADA

DIAKOV, V., KOVALEV, S. História da antiguidade: a Grécia. 3.ed. Lisboa: Estampa, 1976.
FERREIRA, José Roberto Martins. História. 5.ed. São Paulo: FTD, 1997, v.1.
FINLEY, M. I. A economia antiga. 2.ed. Porto: Afrontamento, 1986.
JAGUARIBE, Hélio. Um estudo crítico da história. São Paulo: Paz e Terra, 2001. V.1.
MARROU, Henri Irénée. História da educação na antiguidade. 4.ed. São Paulo: E.P.U, 1975.
MATTOSO, Antonio G. História da civilização: antiguidade. 2.ed. Lisboa: Livraria Sá da Costa, 1940.

Roma Antiga.

É o nome dado à civilização que se desenvolveu a partir da cidade de Roma, fundada na península Itálica durante o século VIII a.C.. Durante os seus doze séculos de existência, a civilização romana transitou da monarquia para uma república oligárquica até se tornar num vasto império que dominou a Europa Ocidental e ao redor de todo o mar Mediterrâneo através da conquista e assimilação cultural. No entanto, um rol de factores sócio-políticos causou o seu declínio, e o império foi dividido em dois. A metade ocidental, onde estavam incluídas a Hispânia, a Gália e a Itália, entrou em colapso definitivo no século V e deu origem a vários reinos independentes; a metade oriental, governada a partir de Constantinopla passou a ser referida, pelos historiadores modernos, como Império Bizantino a partir de 476 d.C., data tradicional da queda de Roma e aproveitada pela historiografia para demarcar o início da Idade Média.

A civilização romana é tipicamente inserida na chamada Antiguidade Clássica, juntamente com a Grécia Antiga, que muito inspirou a cultura deste povo. Roma contribuiu muito para o desenvolvimento no mundo ocidental de várias áreas de estudo, como o direito, teoria militar, arte, literatura, arquitetura, linguística, e a sua história persiste como uma grande influência mundial, mesmo nos dias de hoje.

Monarquia:


A documentação do período monárquico de Roma é encontrada até hoje, só que muito precária, o que torna este período menos conhecido que os períodos posteriores. Várias dessas anotações registram a sucessão de sete reis, começando com Rômulo em 753 a.C., como representado nas obras de Virgílio (Eneida) e Tito Lívio (História de Roma).

A região do Lácio foi habitada por vários povos. Além dos latinos, os etruscos tiveram um papel importante na história da Monarquia de Roma, já que vários dos reis tinham origem etrusca.

O último rei de Roma teria sido Tarquínio, o Soberbo (534 a.C.-509 a.C.) que, em razão de seu desejo de reduzir a importância do Senado na vida política romana, acabou sendo expulso da cidade. Este foi o fim da Monarquia.

Durante esse período, o monarca (rei) acumulava os poderes executivo, judicial e religioso, e era auxiliado pelo Senado, ou Conselho de Anciãos, que detinha o poder legislativo e de veto, decidindo aprovar, ou não, as leis criadas pelo rei.

República:

República Romana é a expressão usada por convenção para definir o Estado romano e suas províncias desde o fim do Reino de Roma em 509 a.C. ao estabelecimento do Império Romano em 27 a.C..

Durante o período republicano, Roma transformou-se de simples cidade-estado num grande império, voltando-se inicialmente para a conquista da península Itálica e mais tarde para a Gália e todo o mundo da orla do Mar Mediterrâneo.

Império romano:

Império Romano é a designação utilizada por convenção para referir o Estado romano nos séculos que se seguiram à reorganização política efectuada pelo primeiro imperador, César Augusto. Embora Roma possuísse colônias e províncias antes desta data, o estado pré-Augusto é conhecido como República Romana.

Os historiadores fazem a distinção entre o Principado, período de Augusto à crise do terceiro século, e o Domínio ou Dominato que se estende de Diocleciano ao fim do Império Romano do Ocidente. Durante o Principado (da palavra latina princeps, que significa primeiro), a natureza autocrática do regime era velada por designações e conceitos da esfera republicana, manifestando os imperadores relutância em se assumir como poder imperial. No Domínio (palavra com origem em dominus, senhor), pelo contrário, estes últimos exibiam claramente os sinais do seu poder, usando coroas, púrpuras e outros ornamentos simbólicos do seu estatuto.


Sociedade:

Os principais grupos sociais que se construíram em Roma eram os patrícios, os clientes, os plebeus e os escravos.
Patrícios: eram grandes proprietários de terras, rebanhos e escravos. Desfrutavam de direitos políticos e podiam desempenhar altas funções públicas no exército, na religião, na justiça ou na administração. Eram os cidadãos romanos.
Clientes: eram homens livres que se associavam aos patrícios, prestando-lhes diversos serviços pessoais em troca de auxílio econômico e proteção social. Constituíam ponto de apoio da denominação política e militar dos patrícios.
Plebeus: eram homens e mulheres livres que se dedicavam ao comércio, ao artesanato e aos trabalhos agrícolas.
Escravos: Representavam uma propriedade, e, assim, o senhor tinha o direito de castigá-los, de vendê-los ou de alugar seus serviços.Muitos escravos também eram eventualmente libertados.

Terra e propriedade na Roma antiga


Na Roma antiga, a agricultura era a atividade econômica fundamental, diferente de outros povos da época, que preferiam dar maior importância ao comércio e ao artesanato.[carece de fontes]. Mas isso se deve, em parte, à geografia favorável da península Itálica, que, ao contrário das terras da Grécia, por exemplo, permitia o trabalho agrícola em grande escala.

Alguns especialistas recentes acreditam que Roma se tenha formado a partir de uma aldeia de agricultores e pastores. Inicialmente, a terra era utilizada de forma comunitária, com base em grupos de famílias chamados clãs ou gens. Mas essa situação começara a mudar com a expansão de territórios e o crescimento econômico e populacional. As famílias mais antigas e poderosas, que possuíam terras mais férteis, passaram a apropriar-se de terras que até então eram públicas.

Num processo de ocupação de terras, os romanos chegaram numa situação em que, de um lado, havia os grandes latifundiários que concentravam todos os poderes políticos das regiões e, de outro, os pequenos proprietários que, sem direitos de manifestação e de representação, viam-se arruinados pela contínua perda de suas próprias terras. Isso causou desequilíbrios sociais e, durante vários séculos, conflitos.


Cultura:


A cultura romana foi muito influenciada pela cultura grega. Os romanos adotaram muitos aspectos da arte, pintura e arquitetura grega.

Os balneários romanos espalharam-se pelas grandes cidades. Eram locais onde os senadores e membros da aristocracia romana iam para discutirem política e ampliar seus relacionamentos pessoais.

A língua romana era o latim, que depois de um tempo espalhou-se pelos quatro cantos do império, dando origem, na Idade Média, ao português, francês, italiano, romeno e espanhol (línguas neolatinas).

A mitologia romana representava formas de explicação da realidade que os romanos não conseguiam explicar de forma científica. Trata também da origem de seu povo e da cidade que deu origem ao império. Entre os principais mitos romanos, podemos destacar o mito da Fundação de Roma, com Rômulo e Remo e o Rapto das Sabinas.


Religião:

Desde os tempos da fundação de Roma, havia a crença em muitos deuses. Ao longo dos séculos, os romanos assimilaram numerosas influências religiosas. No princípio, as divindades eram cultuadas nos lares e, com a consolidação do Estado, os deuses passaram a ser cultuados publicamente, com sacerdotes presidindo as cerimônias. Conquistada a Magna Grécia, os deuses romanos se confundiram com os gregos, aos quais foram atribuídos nomes latinos.

A expansão territorial e o advento do Império levou à incorporação de cultos orientais, além daqueles de origem helenística. Os romanos cultuavam, por exemplo, o deus persa Mitra, o que incluía a crença em um redentor que praticava o batismo e a comunhão pelo pão e pelo vinho.


O cristianismo no Império Romano:


Na Judeia, uma das províncias romanas no Oriente, facções políticas locais se degladiavam em fins do século I a.C. De um lado, a aristocracia e os sacerdotes judeus aceitavam a dominação romana, pois os primeiros obtinham vantagens comerciais e os segundos mantinham o monopólio da religião. Entre as várias seitas judaicas que coexistiam na região, estavam a dos fariseus, nacionalistas que articulavam a revolta contra os romanos, e a dos essênios, que pregavam a vinda do Messias, um rei poderoso que lideraria os judeus rumo à independência. Nesse clima de agitação, durante o governo de Otávio, nasceu, em Belém, um judeu chamado Jesus.

Poucas fontes históricas não-cristãs mencionam Jesus ou os primeiros anos do Cristianismo. A principal fonte a respeito de sua vida são os Evangelhos, que relatam o nascimento e os primeiros anos no modesto lar de um artesão de Nazaré. Há um período sobre o qual praticamente não há informações, até que, aos trinta anos, recebe o batismo pelas mãos de João Batista, nas águas do Rio Jordão e começa a pregação de seu ideário. Jesus se apresenta como o messias esperado pelos judeus. No Sermão da Montanha, descrito nos evangelhos atribuídos a Mateus e Lucas, delineou os princípios básicos de seu pensamento: para Jesus, a moral, como a religião, era essencialmente individual e a virtude não era social, mas de consciência. Pregava a igualdade entre os homens, o perdão e o amor ao próximo.

Segundo os Evangelhos, as autoridades religiosas judaicas não aceitaram que aquele homem simples, que pregava aos humildes, pudesse ser o rei, o Messias que viria salvá-los. Consideraram-no um dissidente e o enquadraram na lei religiosa, condenando-o à morte por crucificação, a ser aplicada pelos romanos (do ponto de vista das autoridades romanas, Jesus era um rebelde político). Levadas pelos seus discípulos, os apóstolos, a diversas partes do império romano, as idéias de Jesus frutificaram. O apóstolo Paulo, judeu com cidadania romana, deu caráter universal à nova religião: segundo ele, a mensagem de Jesus, chamado de Cristo (o ungido) por seus seguidores, era dirigida não somente aos judeus, mas a todos os povos. Com Paulo, o Cristianismo deixou de ser uma seita do judaísmo para se tornar uma religião autônoma. Por não aceitarem a divindade imperial e por acreditarem que havia uma única verdade - a de Jesus -, os cristão foram perseguidos pelos romanos.

Por volta do ano 70, foram escritos os evangelhos atribuídos a Mateus e Marcos, em língua grega. Trinta anos depois, publicava-se o evangelho atribuído a João, e a doutrina da Santíssima Trindade (Pai, Filho e Espírito Santo) começava a tomar forma. O cristianismo pode, então, ser interpretado como uma síntese de crenças judaicas e persas.

Apegados ao monoteísmo, os cristãos não juravam o culto divino ao imperador, provocando reações violentas. As perseguições ocorreram em curtos períodos, embora violentos, à medida em que o culto divino ao imperador, estabelecido por Augusto mas formalizado por Domiciano era aplicado nas províncias . Muitos foram perseguidos, outros morreram nas arenas, devorados por feras. Ao mesmo tempo, cada vez mais pessoas se convertiam ao cristianismo, especialmente pobres e escravos, que se voltavam para a Igreja por acreditarem na promessa de vida eterna no Paraíso.

O poder do cristianismo não podia mais ser ignorado. A partir do momento em que cidadãos ricos do Império Romano se converteram à nova religião, a doutrina, que pregava a igualdade e a liberdade, deixava de representar um perigo social. Aos poucos, a Igreja Católica se institucionalizava e o clero se organizava, com o surgimento dos bispos e presbíteros. O território sob o domínio romano foi dividido em províncias eclesiásticas. Os Patriarcas, bispos dos grandes centros urbanos - como Roma, Constantinopla e Alexandria -, ampliaram seu poder, controlando as províncias. O bispado de Roma procurou se sobrepor aos demais, alegando que o bispo de Roma era o herdeiro do apóstolo Pedro, que teria recebido de Jesus a incumbência de propagar a fé cristã entre os povos.

Em 313, o imperador Constantino fez publicar o Édito de Milão, que instituía a tolerância religiosa no império, beneficiando principalmente os cristãos. Com isso, recebeu apoio em sua luta para se tornar o único imperador e extinguir a tetrarquia. Em 361, assumiu o trono Juliano, o Apóstata, que tentou reerguer o paganismo, dando-lhe consistência ético-filosófica e reabrindo os templos. Três anos depois o imperador morreu e, com ele, as tentativas de retomar a antiga religião romana.

Em 391, Teodósio I (379-395) oficializou o cristianismo nos territórios romanos e perseguiu os dissidentes. Após seu reinado, o império foi dividido em duas partes. Os filhos de Teodósio assumiram o poder: Arcádio herdou o Império Romano do Oriente, cujo centro político era Constantinopla (antiga Bizâncio, rebatizada em homenagem ao imperador Constantino, localizava-se onde hoje é a cidade turca de Istambul); a Honório coube o Império Romano do Ocidente, com capital em Roma.


Arte:

Ao longo de sua história, a arte romana sofreu três grandes influências: a etrusca (na técnica), a grega (na decoração) e a oriental (na monumentalidade). É comum se dizer que Roma conquistara a Grécia militarmente, fora por ela conquistada culturalmente. No começo do período imperial, destacavam-se os romanos que dominavam a língua grega, vestiam-se como os gregos e conheciam as notícias sobre Atenas e Corinto. Em Roma, as casas da elite eram decoradas com estátuas e vasos gregos, originais ou réplicas. Roma tornara-se "a maior cidade grega do mundo".

A arte romana desenvolveu-se principalmente a partir do século II a.C. Para os romanos, a arquitetura era uma arte prática por excelência. Construíram obras importantes, como pontes, viadutos, aquedutos, arcos e colunas triunfais, estradas, termas, teatros, anfiteatros e circos. Destacavam-se as técnicas do arco pleno ou de meia circunferência, que permitiam a construção de abóbadas e cúpulas, e da coluneta ou conjunto de colunas. Embora se valessem de estilos gregos - jônico e coríntio -, os romanos desenvolveram dois tipos de colunas: a toscano e o compósito (uma sobreposição dos dois estilos gregos mencionados). Desenvolvendo novas concepções de espaço, os arquitetos romanos souberam solucionar problemas de ventilação, iluminação e circulação. Utilizaram largamente pedras e tijolos bem cozidos para edificar e argamassas e mármore nos revestimentos.

A arte cristã primitiva nasceu na fase da perseguição, o que provavelmente explica os poucos exemplares restantes. Perseguidos e impedidos de demonstrar sua fé entre os séculos I e IV, os cristãos desenhavam e pintavam símbolos nas paredes das catacumbas.


Engenharia e Arquitetura:


A engenharia civil romana merece um parágrafo à parte. Além de construir estradas que ligavam todo o império, os romanos edificaram aquedutos que levavam água limpa até as cidades e também desenvolveram complexos sistemas de esgoto para dar vazão à água servida e aos dejetos das casas.

A arquitetura romana sofreu uma enorme influência da arquitetura grega, porém, adquiriu algumas características próprias. Os romanos, por exemplo, modificaram a linguagem arquitetônica que receberam dos gregos, uma vez que acrescentaram aos estilos herdados (dórico, jônico e coríntio) duas novas formas de construção: os estilos toscano e compósito. As características que abrangiam os traços arquitetônicos gregos e romanos foram chamadas de Arquitetura Clássica por muitos escritores. Alguns exemplos característicos deste estilo expandiram-se por toda a Europa, devido ao expansionismo do Império Romano, nomeadamente o aqueduto, a basílica, a estrada romana, o Domus, o Panteão, o arco do triunfo, o anfiteatro, termas e edifícios comemorativos.

A evolução da arquitetura romana reflete-se fundamentalmente em dois âmbitos principais: o das escolas públicas e o das particulares. No âmbito das escolas públicas, as obras (templos, basílicas, anfiteatros, etc) apresentavam dimensões monumentais e quase sempre formavam um conglomerado desordenado em torno do fórum - ou praça pública - das cidades.

As obras particulares, como os palácios urbanos e as vilas de veraneio da classe patrícia, se desenvolveram em regiões privilegiadas das cidades e em seus arredores, com uma decoração deslumbrante e distribuídas em torno de um jardim.

A plebe vivia em construções de insulae, muito parecidos com nossos atuais edifícios, com portas que davam acesso a sacadas e terraços, mas sem divisões de ambientes nesses recintos. Seus característicos tetos de telha de barro cozido ainda subsistem em pleno século XXI.

História Militar:


Roma foi um estado totalmente militarista cuja história e o desenvolvimento sempre foram muito relacionados às grandes conquistas militares, durante os seus 12 séculos de existência. Então, o tema central a ser falado quando se discute a História Militar da Roma Antiga é o sucesso conseguido pelos exércitos romanos em batalhas campais que garantiam sua hegemonia, desde a conquista da península Itálica às batalhas finais contra os bárbaros.

A maior prova do sucesso militar do Império Romano foi sua surpreendente expansão territorial, pela qual Roma passou de uma simples cidade-estado para um verdadeiro império, que abrangia boa parte da atual Europa Ocidental, boa parte do norte da África e uma parte da Ásia. Essas grandes conquistas militares do Império Romano se deram pelo avanço da ciência militar que ela desenvolveu, inovando cada vez mais na indústria bélica. Eles criaram armas que envolviam tática e força, como o corvo, o gládio, o pilo e a catapulta; mas também deve-se ressaltar que as conquistas romanas se deram pela grande organização e empenho dos exércitos.

Podemos citar algumas guerras onde os Romanos tiveram grande êxito, como: As Guerras Samnitas, as Guerras Púnicas, a Guerra Lusitânica, as Guerras da Macedônia, a Guerra Jugurtina, as Guerras Mitridáticas, as Guerras da Gália, as Guerras Cantábricas, as Guerras Germânicas de Augusto, as invasões romanas das ilhas britânicas, as Campanhas de Trajano na Dácia e as Campanhas de Trajano na Pártia. Mas os romanos não tiveram apenas guerras expansionistas, isto é, fora de seu território, também tiveram, assim como todos os impérios, revoltas e rebeliões internas. Dentre as quais, podemos citar: as revoltas do Ano dos quatro imperadores, as Guerras civis Romanas (várias), A Guerra Social, os Motins de Nika, a Revolta Batávica, as revoltas dos judeus (várias) e a Revolta dos Escravos. E no contexto de guerras expansionistas, revoltas e rebeliões romanas, não poderíamos deixar de destacar alguns dos grandes líderes militares de Roma, os grandes generais: Júlio César; Pompeu, o Grande; Lúcio Cornélio Sula; Caio Mário; Cipião Africano e Quintus Fabius Maximus Verrucosus.