quinta-feira, 1 de julho de 2010

Série bibliográfica:"Gênios que mudaram a história".Parte IV: Thomas Hobbes.





Thomas Hobbes (Malmesbury, 5 de abril de 1588 — Hardwick Hall, 4 de dezembro de 1679) foi um matemático, teórico político, e filósofo inglês, autor de Leviatã (1651) e Do cidadão (1651).

Thomas Hobbes nasceu em Malmesbury, Inglaterra, em 5 de abril 1588. Como ele mesmo alegou em sua autobiografia, "ao nascer sua mãe teria dado a luz a gêmeos: Hobbes e o medo", já que a mãe de Hobbes havia entrado em trabalho de parto prematuro com medo da Armada Espanhola (a Invencível Armada) que estava prestes a atacar a Inglaterra. Embora o tema do medo e do seu poder avassalador fossem aparecer mais tarde em suas obras, os primeiros anos de vida de Hobbes foram em grande parte livres da ansiedade. Seu pai era o vigário de Charlton e Westport, cidades próximas de Malmesbury, mas uma disputa com outro vigário, o levou a se mudar para Londres. Como resultado, aos sete anos de idade, Thomas Hobbes, ficou sob a tutela de seu tio Francisco. Hobbes fez seus primeiros estudos em Malmesbury e mais tarde em Westport, onde exibiu seus dotes intelectuais em estudos clássicos. Aos quatorze anos, em 1603, seu tio Francisco financiou os seus estudos, entrando na Magdalen Hall, Oxford, onde predominava o ensino da escolástica de inspiração aristotélica, mas a que Hobbes não demonstrou grande interesse.

Em 1610 ele empreendeu uma viagem à Europa, acompanhando William Cavendish, indo para França, Itália e Alemanha. Pode observar em primeira mão a pouca apreciação da escolástica na época - que já estava em claro declínio. As muitas tentativas de abrir portas para desenvolvimento de outros conhecimentos fez com que ele decidisse retornar à Inglaterra para aprofundar o estudo dos clássicos. Nesse período, já de volta à Inglaterra, suas relações com Francis Bacon irão reforçar a linha de seu próprio pensamento, bem fora do aristotelismo e da escolástica.

Em 1631 a família de nobres ingleses Cavendish novamente pede seus serviços como guardião do terceiro Duque de Devonshire, e Hobbes irá ocupar este cargo até 1642. Durante este período, faz outra viagem ao continente, lá permanecendo de 1634 a 1637. Na França, entra em contato com o círculo intelectual do Padre Mersenne, mentor de Descartes - com quem estabeleceu uma forte amizade. Em geral, Hobbes era a favor da explicação mecanicista do universo (que predominava na época), em oposição à teleológica defendida por Aristóteles e a escolástica. Também teve a oportunidade de conhecer Galileu, durante uma viagem à Itália em 1636 (6 anos antes de Galileu morrer), sob cuja influência Hobbes desenvolveu a sua filosofia social, baseando-se nos princípios da geometria e ciências naturais.

Em 1640, quando a possibilidade de uma guerra civil na Inglaterra já era clara, Hobbes, temendo por sua vida por ser um conhecido defensor da monarquia, viaja de volta para Paris, onde, mais uma vez, foi recebido pelo círculo de intelectuais francês.

Em 1646, ainda em Paris, vira professor de matemática do Príncipe de Gales, o futuro Carlos II, que também se encontrava exilado em Paris devido a Guerra Civil Inglesa. Em 1651, dois anos após a decapitação do rei Carlos I, Hobbes decide voltar para a Inglaterra com o fim da Guerra Civil e o começo da “Ditadura de Cromwell”. Neste ano também publica “Leviatã”, que provoca o início de sua disputa com John Bramall, bispo de Derry, o principal acusador de Hobbes como sendo um “materialista ateu”.
A publicação do “De Corpore”, em 1665, irá resultar em uma polêmica com os principais membros da Royal Society, que criticaram suas contribuições para a matemática bem como as posições ateístas defendidas por Hobbes. Na Inglaterra, o "anti-Hobbismo" atingiu um pico em 1666 quando seus livros foram queimados na sua alma mater, Oxford.

Hobbes manteve-se um escritor extremamente produtivo na velhice, mesmo sendo prejudicado pela oposição generalizada de seu trabalho. Ele viveu até os 91 anos durante uma época em que a expectativa média de vida não era muito mais do que quarenta anos. Aos 80 anos Hobbes produziu novas traduções para o inglês, tanto da Ilíada e da Odisseia e escreveu, em 1672, uma autobiografia em latim. Apesar da polêmica que causou, ele foi uma espécie de símbolo na Inglaterra até o final de sua vida. Seu ponto de vista pode ser considerado abominável ou atraente; suas teorias brilhantemente articuladas são lidas por pessoas de todos os espectros políticos.


Na obra Leviatã, explanou os seus pontos de vista sobre a natureza humana e sobre a necessidade de governos e sociedades. No estado natural, enquanto que alguns homens possam ser mais fortes ou mais inteligentes do que outros, nenhum se ergue tão acima dos demais por forma a estar além do medo de que outro homem lhe possa fazer mal. Por isso, cada um de nós tem direito a tudo, e uma vez que todas as coisas são escassas, existe uma constante guerra de todos contra todos (Bellum omnia omnes). No entanto, os homens têm um desejo, que é também em interesse próprio, de acabar com a guerra, e por isso formam sociedades entrando num contrato social.


Capa da edição original do Leviatã (1651).

De acordo com Hobbes, tal sociedade necessita de uma autoridade à qual todos os membros devem render o suficiente da sua liberdade natural, por forma a que a autoridade possa assegurar a paz interna e a defesa comum. Este soberano, quer seja um monarca ou uma assembleia (que pode até mesmo ser composta de todos, caso em que seria uma democracia), deveria ser o Leviatã, uma autoridade inquestionável. A teoria política do Leviatã mantém no essencial as ideias de suas duas obras anteriores, Os elementos da lei e Do cidadão (em que tratou a questão das relações entre Igreja e Estado).

Thomas Hobbes defendia a ideia segundo a qual os homens só podem viver em paz se concordarem em submeter-se a um poder absoluto e centralizado. Para ele, a Igreja cristã e o Estado cristão formavam um mesmo corpo, encabeçado pelo monarca, que teria o direito de interpretar as Escrituras, decidir questões religiosas e presidir o culto. Neste sentido, critica a livre-interpretação da Bíblia na Reforma Protestante por, de certa forma, enfraquecer o monarca.

Sua filosofia política foi analisada pelo estudioso Richard Tuck como uma resposta para os problemas que o método cartesiano introduziu para a filosofia moral. Hobbes argumenta, assim como os céticos e como René Descartes, que não podemos conhecer nada sobre o mundo exterior a partir das impressões sensoriais que temos dele. Esta filosofia é vista como uma tentativa para embasar uma teoria coerente de uma formação social puramente no fato das impressões por si, a partir da tese de que as impressões sensoriais são suficientes para o homem agir em sentido de preservar sua própria vida, e construir toda sua filosofia política a partir desse imperativo.

Hobbes ainda escreveu muitos outros livros falando sobre filosofia política e outros assuntos, oferecendo uma descrição da natureza humana como cooperação em interesse próprio. Ele foi contemporâneo de Descartes e escreveu uma das respostas para a obra Meditações sobre filosofia primeira, deste último.

Contexto

Nascido em 1588, na Inglaterra dos Tudor, Thomas Hobbes foi influenciado pela reforma anglicana que ocorrera cinco décadas antes. A cisão com a Igreja Católica fez com que a Espanha interviesse nos assuntos ingleses enviando a Invencível Armada (“Grande y Felicíssima Armada”) fato que mais tarde seria relatado por Hobbes em sua autobiografia e terá grandes influências sobre sua obra. O século XVII foi de grande importância para a Inglaterra pois marca o começo do expansionismo colonialista ultramarino inglês, com a fundação de Jamestown, a primeira colônia inglesa nas Américas, em 1607. É também no século XVII que são lançadas as bases do capitalismo industrial na Inglaterra com a Revolução Gloriosa já na década de 80 do século XVII. É durante esse período que a Marinha Inglesa irá se consolidar como a maior e mais bem equipada marinha do mundo, só perdendo a posição para os EUA no pós-2a. Guerra Mundial. A poderosa marinha irá contribuir para o acúmulo de capitais que irá financiar o expansionismo colonial e, mais tarde, industrial inglês.

O século XVII na Europa continental é o marco do absolutismo monárquico, tendo seu expoente máximo o Luis XIV, o Rei Sol que ficou famoso pela frase “L’État c’est moi” (O Estado sou eu). O Barroco também marcou o período e tinha influência da Contra-reforma (representado na Inglaterra pela revolução anglicana). A filosofia do barroco se baseava no dualismo existente entre o hedonismo e o medo do pecado ou fervor religioso – enquanto que a busca pelo essencialmente humano já havia começado no Renascimento; havia o receio do divino sobrenatural que poderia punir o terreno e transitório.

Quando Hobbes tinha 30 anos e já havia visitado a Europa continental pela primeira vez, uma revolta na Boêmia daria início à Guerra dos Trinta Anos, fato que irá reforçar para Hobbes a sua própria visão pessimista acerca da natureza humana destrutiva. Apenas 12 anos após o início da guerra no continente europeu, disputas políticas entre o Parlamento e o Rei inglês dão início a uma guerra civil na Inglaterra que perdurará por 10 anos.

Referência:
Curso de Teoria Política Moderna da Universidade de Brasília . Acessado em 8 de Dezembro de 2009.

Museus de Belém.

A cidade de Belém possui vários museus, mas, infelizmente, não há uma divulgação adequada, que acaba ocorrendo um número muito baixo de visitas, mas agora, com a supervalorização da cultura e de ciências como a história, que por sinal, deveriam ser supervalorizadas sempre por uma civilização que se preze. Com o intuíto de divulgar, O blog Marciohistorian irá fornecer informações de alguns mais conhecidos e tradicionais da capital.


MABE
Museu de Arte de Belém



Praça D. Pedro II, s/n - Cidade Velha
tel: (91) 3242-3344

hor. visitas:
3ª a 6ª feira das 10h às 12h e das 14h às 17h.
sábados e domingos. das 9h às 13h.
O Palácio Antônio Lemos foi construído no Século XIX para ser a sede do poder municipal. Ao longo de seus 117 anos de existência abrigou o Tribunal de Relação, a Junta Comercial, o Conselho Municipal e a Câmara de Deputados. Idealizado pelo projetista José Coelho da Gama e Abreu, possui linhas do Neoclássico Tardio, estilo introduzido no Brasil com a Missão Artística Francesa e que no país ganhou a denominação de "Imperial Brasileiro". O prédio sedia o Gabinete do Prefeito Municipal de Belém, a Coordenadoria de Comunicação Social e o Museu de Arte de Belém. Está localizado no bairro da Cidade Velha, Centro Histórico da capital paraense, entre as praças Felipe Patroni e D.Pedro II. O Palácio é tombado pelas esferas federal, estadual e municipal, constituindo-se em um dos raros patrimônios edificados que mantém sua função pública original.

O Museu de Arte de Belém foi instituído a partir de 1991 como um Departamento da Fundação Cultural do Município de Belém, que por sua vez pertence à Prefeitura Municipal de Belém. Em 1994, com a reinauguração do Palácio Antônio Lemos, passou a acolher as coleções oriundas respectivamente, da Pinacoteca Municipal e Museu da Cidade de Belém, do qual é originário. O Museu reúne um conjunto significativo de obras européias e brasileiras, que referem o período áureo da borracha na cidade e um acervo contemporâneo em expansão. Esse acervo é composto por um conjunto de obras denominado Iconografia Paraense, que retrata através de pinturas, e fotografias, cenas de Belém e seus habitantes e ainda, do ambiente amazônico. Inclui também peças do mobiliário brasileiro, objetos de interior e esculturas.

Possui salas para exposições, cujas denominações homenageiam artistas, que possuem obras no acervo ou são de reconhecido valor no cenário das artes; um auditório para solenidade; uma biblioteca especializada em artes visuais, museologia e correlatos e as Divisões de Conservação e Documentação, de Museografia e de Ação Educativa.

O MABE também possui outros espaços expositivos: a Galeria Municipal de Arte e o Museu de Arte Popular, situado no Distrito de Icoaraci.


MEP
Museu do Estado do Pará



Praça D. Pedro II, s/n - C.Velha
tel: (91) 4009-8838
hor. visitas:
3ª a 6ª feira das 10h às 18h.
sáb. dom. fer. das 09h às 13h. Palácio Lauro Sodré, sede do Museu do Estado do Pará a partir de 1994, é imponente prédio neoclássico, construído segundo as plantas do arquiteto italiano Antonio Landi, no século XVIII. Foi erigido para ser a sede do poder público estadual e, concomitantemente, abrigar o Governador Geral da Província e sua família. Dentre as muitas reformas, adptações e/ou acréscimos por que passou, foi determinante a empreendiada pelo governador Augusto Montenegro, no início do século XX.

No apogeu do ciclo da borracha quando a Amazônia vive os costumes e valores da Belle Époque, Montenegro imprimi ao prédio e 'a decoração de seu interior os cânones da época. Parte do mobiliário é trazido da Europa e a outra parte é confeccionada nas oficinas da antiga Escola de Artífices. Belíssimos lustres em cristal são colocados nos Salões Nobres e é contratado o pintor francês J.Casse para decorá-los. Estas peças e mais as telas de renomados pintores como Antonio Parreiras, Décio Vilares, Benedicto Calixto, passaram a constituir o núcleo nais significativo do acervo.

Como é comum aos museus históricos, o MEP reúne em seu acervo exemplares de natureza, época e estilos diversos, estando os objetos agrupados nas mais diferentes categorias. Destaca-se o acervo arqueológico incorporado a partir de 2001 e o acervo de Artes Visuais, resultado de aquisições e doações.

MAS
Museu de Arte Sacra do Pará



Pça. Frei Caetano Brandão, s/n
Arcebispado - Cidade Velha
tel: (91) 4009-8802
hor. visitas:
3ª feira a domingo das 10h às 18h.O Museu de Arte Sacra é composto pela Igreja de Santo Alexandre e pelo antigo palácio episcopal (originalmente Colégio de Santo Alexandre). Os dois edifícios foram construídos para compor um conjunto, no qual a igreja era o centro irradiador, como foi exemplar da arquitetura jesuítica no Brasil. A igreja teve o início da sua construção por volta de 1698 e inauguração a 21 de março de 1719. É composta por nave única, transepto e oito capelas laterais. A sacristia localiza-se no braço esquerdo da nave. A decoração é caracterizada pela arte barroca, com forte acento tropical, destacando-se as peças produzidas pelos jesuítas e pelos índios. Além da função litúrgica, a igreja também funciona como espaço cênico-musical para espetáculos teatrais e recitais, além de ser objeto museal, fazendo parte do roteiro de visitação do museu.

O acervo do Museu de Arte Sacra do Pará compõe-se por imaginárias datadas dos séculos 18 e 19 e objetos litúrgicos, somando cerca de 320 peças expostas no primeiro pavimento do palácio episcopal e no corpo da igreja.

Casa das Onze Janelas



Pça. Frei Caetano Brandão, s/n
Arcebispado - Cidade Velha
tel: 55 91 4009-8821
hor. visitas:
3ª feira a domingo das 10h às 18h.A Casa das Onze Janelas foi construída no século 18 como residência de Domingos da Costa Bacelar, proprietário de engenho de açúcar. Em 1768, a casa foi adquirida pelo governo do Grão-Pará para abrigar o Hospital Real. O projeto de adaptação é do arquiteto bolonhês José Antônio Landi. O hospital funcionou até 1870 e depois a casa passou a ter várias funções militares. Em 2001, o Governo do Estado do Pará assinou com o Exército Brasileiro um convênio, alienando os terrenos da Casa das Onze Janelas e do Forte do Presépio em favor do Estado.

Dessa forma, pôde ser projetado o Espaço Cultural Casa das Onze Janelas, referência em arte comtemporânea para as regiões Norte e Nordeste. O espaço possui duas exposições principais: "Traços e Transições - Arte Contemporânea Brasileira" e "Fotografia Contemporânea Paraense - Panorama 80/90".

A exposição "Traços e Transições - Arte Contemporânea Brasileira" é formada pelo acervo do Museu do Estado do Pará, no qual se destacam a coleção doada à Secult pela Fundação Nacional de Arte (Funarte) e as obras doadas pelos próprios artistas e seus familiares, e por particulares.

A exposição: "Fotografia Contemporânea Paraense - Panorama 80/90" (Sala Gratuliano Bibas) é formada pelo acervo patrocinado pela Petrobrás, composto por obras de 26 fotógrafos profissionais que atuaram no Pará entre os anos 80 e 90.


Museu do Forte do Presépio



Pça. Frei Caetano Brandão, s/n
Cidade Velha - Belém/PA
tel: (91) 4009-8802
hor. visitas:
3ª feira a domingo das 10hàs 18h. O Forte do Presépio está na origem da fundação de Belém e da colonização da Amazônia, no século XVII. O Museu do Forte do Presépio presentifica essa história, reatando o elo do paraense com sua origem e identidade. Através do circuito expositivo é possível fazer o acompanhamento dos processos culturais, sociais e militares nos quais o forte e sua área de entorno estão imersos.

O circuito externo é denominado "Sítio Histórico da Fundação da Cidade", onde estão expostos os vestígios arquitetônicos desvelados em prospecções, os canhões e metralhadoras de diversos períodos da fortaleza.

O circuito interno corresponde ao Museu do Encontro na sala Guaimiaba, homenagem ao índio tupinambá Cabelo-de-velha. A exposição reúne objetos em cerâmica tapajônica e marajoara, além da cultura material recolhida no próprio sítio histórico: fragmentos de cerâmica e porcelana, balas, moedas, etc.

Em toda a área do museu há portais, onde estão afixadas informações sobre a história da colonização da Amazônia. Os textos e mapas são uma licença poética ao escritor italiano Ítalo Calvino, autor de "As Cidades Invisíveis".

Na concepção museográfica, Belém é uma cidade que se evidencia através da memória e se torna visível na história presente.

Fonte:http://www.culturapara.art.br/museus_galerias.htm
Fotos:Paulo Santos, Octávio Cardoso e Flavya Mutran.